Guia · ILPI · RDC 502/2021
Como montar o Plano de Atenção Individualizada (PAI)
O Plano de Atenção Individualizada é o documento que a RDC 502/2021 tornou obrigatório para cada residente de uma ILPI. Ele parte de uma avaliação multidimensional, define metas e ações por área e é reavaliado periodicamente. Veja como estruturá-lo.
Guia Padronia · atualizado em 24 de julho de 2026 · escrito e revisado pela formação correspondente à área.
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O que é e por que é obrigatório
O Plano de Atenção Individualizada (PAI) é o documento que organiza o cuidado de um residente específico: o que ele precisa, quem faz, com que meta e em que prazo. A RDC 502/2021 o tornou uma exigência expressa — cada pessoa idosa acolhida deve ter o seu, construído de forma interdisciplinar e mantido atualizado. Não é um formulário de admissão preenchido uma vez: é um plano vivo.
Passo 1 — Avaliação multidimensional
O PAI não começa pela meta, começa pelo diagnóstico da situação do residente. A avaliação multidimensional cruza várias dimensões, cada uma com instrumento reconhecido:
- Grau de dependência (I, II ou III), na classificação da própria RDC 502/2021, que define inclusive o dimensionamento de pessoal.
- Autonomia nas atividades de vida diária — escalas de Katz (AVD) e Lawton (AIVD).
- Risco de queda (escala de Morse ou equivalente) e risco de lesão por pressão (escala de Braden).
- Estado cognitivo e estado nutricional (por exemplo, Mini Avaliação Nutricional).
- Dimensão social e familiar: rede de apoio, vínculos e histórico.
Passo 2 — Metas e ações por área
Cada achado da avaliação vira uma meta com ações concretas. A estrutura que sobrevive à fiscalização separa por área de cuidado:
| Dimensão | Exemplo de meta | Ações |
|---|---|---|
| Mobilidade | Reduzir risco de queda | Fisioterapia 2x/semana, revisão de calçado, sinalização de risco no leito |
| Pele | Prevenir lesão por pressão | Mudança de decúbito a cada 2h, hidratação, avaliação semanal de Braden |
| Nutrição | Manter estado nutricional | Dieta adaptada à disfagia, registro de aceitação, pesagem mensal |
| Saúde | Controle de comorbidade | Administração de medicamentos conforme prescrição, monitoramento de sinais |
Passo 3 — Responsáveis e prazos
Uma meta sem responsável e sem prazo é uma intenção, não um plano. Cada ação do PAI indica quem executa (por função, não por nome fixo) e com que frequência. É isso que permite ao cuidador saber o que fazer no plantão e ao avaliador conferir se aconteceu.
Passo 4 — Reavaliação
O PAI é reavaliado periodicamente e sempre que houver mudança no quadro do residente — internação, queda, alteração de dependência. A boa prática é uma revisão programada em intervalo definido pela instituição, registrada com data e assinatura da equipe. A ausência de reavaliação é uma das não conformidades mais frequentes.
Erros que reprovam o PAI na fiscalização
- PAI idêntico para todos os residentes — descaracteriza a individualização.
- Metas genéricas ("manter bem-estar") sem indicador nem ação verificável.
- Plano montado na admissão e nunca reavaliado.
- Avaliação multidimensional citada, mas sem os instrumentos preenchidos no prontuário.