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Grau de dependência: como classificar o residente e o que isso muda na escala
A classificação por grau de dependência não é registro burocrático. Ela determina o plano de cuidado, o dimensionamento da equipe e a organização do serviço — e é o primeiro dado que a fiscalização cruza com a escala de trabalho.
Guia Padronia · publicado em 7 de agosto de 2026 · norma conferida na fonte nesta data.
Neste guia
Os três graus, e o que separa um do outro
O art. 3º, inciso IV, da RDC Anvisa nº 502/2021 define a classificação em três graus, do mais autônomo ao que exige assistência integral.
| Grau | Perfil | O que a casa precisa organizar |
|---|---|---|
| I | Pessoa idosa independente, sem necessidade de auxílio para as atividades de vida diária | Convivência, prevenção, estímulo à autonomia e acompanhamento de saúde |
| II | Dependência em até três atividades de vida diária, sem comprometimento cognitivo ou com comprometimento controlado | Apoio parcial nas AVD, prevenção de queda, monitorização e plano individual mais detalhado |
| III | Dependência que requer assistência em todas as atividades de vida diária, ou comprometimento cognitivo | Assistência integral, cobertura nas vinte e quatro horas, prevenção de lesão por pressão, disfagia e imobilismo |
A diferença prática entre o grau II e o grau III não é de gravidade clínica: é de quantidade de atividades em que o residente depende de outra pessoa. É esse o critério, e é ele que precisa estar registrado.
Quem classifica e com que instrumento
A classificação decorre de avaliação multidimensional, conduzida pela equipe e registrada no prontuário do art. 33. Os instrumentos mais usados no país, todos de aplicação livre e com bibliografia declarada:
- Escala de Katz — independência nas atividades básicas de vida diária.
- Escala de Lawton e Brody — atividades instrumentais.
- Mini Exame do Estado Mental — rastreio cognitivo.
- Escala de Fragilidade Clínica e instrumentos de rastreio nutricional e de risco de queda, conforme o perfil.
A instituição escolhe os instrumentos, declara a escolha por escrito e a mantém estável — trocar de escala a cada avaliação impede comparar o mesmo residente consigo mesmo ao longo do tempo.
O que muda na escala
O art. 16 vincula o quadro de pessoal ao grau de dependência dos residentes, e não ao número de vagas da instituição. Duas casas com quarenta leitos podem precisar de equipes muito diferentes: o que dimensiona é a composição real.
Isso tem três consequências operacionais que costumam passar despercebidas:
- A escala precisa ser recalculada quando a composição muda, e não apenas na renovação do alvará.
- A cobertura de ausência — férias, licença, falta — precisa manter a proporção, e não apenas o número absoluto.
- A matriz de dimensionamento precisa existir como documento, mostrando o cálculo. Escala pronta sem a memória de cálculo não demonstra conformidade: demonstra que alguém decidiu.
Quando reclassificar
Sempre que houver mudança no quadro, e em intervalo definido pela instituição mesmo sem mudança aparente. Os gatilhos mais comuns:
- Internação hospitalar e retorno.
- Queda com lesão, fratura ou perda funcional.
- Alteração cognitiva relevante ou início de quadro demencial.
- Perda de peso significativa, disfagia ou início de dieta modificada.
- Início ou retirada de dispositivo — sonda, cateter, oxigenoterapia.
A reclassificação é registrada com data, motivo e responsável, e dispara a revisão do plano individual e do dimensionamento.
Onde a inspeção pega
- Classificação feita na admissão e nunca revista. Residente que entrou grau I há quatro anos e continua grau I na planilha é o achado mais frequente.
- Composição declarada que não bate com o prontuário. O fiscal cruza a listagem com dois ou três prontuários. Se divergir, a listagem inteira perde valor.
- Escala compatível com a listagem, mas não com o que se vê. Se a casa declara maioria grau I e o avaliador encontra residentes acamados, o problema deixa de ser de escala e passa a ser de veracidade.
- Instrumento citado e não preenchido. Dizer que se aplica Katz sem a folha preenchida no prontuário é pior do que não citar.